os sete anjos das sete taças

Apocalipse: os sete anjos das sete taças

O cálice da ira de Deus se encheu depois de ter esgotado todos os Seus recursos de misericórdia e compaixão

 

"Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho, e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro. Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos. O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos." Apocalipse 15.5-8

Nesta segunda visão do apóstolo João o quadro se modifica radicalmente. Na primeira visão ele vê os vencedores da Grande Tribulação entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro, mas aqui a sua visão é focalizada na origem dos últimos juízos de Deus.

E ele vê se abrir no céu o "santuário do tabernáculo do Testemunho" (Apocalipse 15.5). Para compreender o que isto significa precisamos voltar ao deserto do Sinai, quando o Senhor ordenou a Moisés a construção do tabernáculo, bem como os seus utensílios, incluindo a arca da Aliança. Nesta arca, revestida de ouro, foram guardadas as tábuas nas quais Deus escreveu a Lei. Estas tábuas da Lei de Deus eram o testemunho da Sua vontade para o povo de Israel.

Mais tarde, "... o Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (João 1.14), e "... o Verbo era Deus" (João 1.1). Sim, o próprio Deus, na Pessoa do Seu Filho, o Senhor Jesus, veio e manifestou a vontade do Pai, testemunhando no Seu próprio Ser a Sua Palavra. Assim, as pessoas que rejeitam a Palavra de Deus rejeitam o Seu Autor. E agora o Céu se abre, e a Palavra de Deus se volta contra uma humanidade corrompida pela palavra do diabo.

E não foi isso o que aconteceu no Jardim do Éden? A criatura humana rejeitou a Palavra de Deus para se submeter à palavra de Satanás. E como consequência disso o homem deixou de ser servo de Deus para ser servo do diabo.

Agora, esta mesma Palavra testemunha contra, para um juízo sem precedentes. O tabernáculo do Testemunho é aberto para derramar a cólera de Deus sobre uma humanidade condenada por si mesma, tendo em vista a sua rejeição da Oferta oferecida pelo próprio Criador para salvá-la.

Daí a justa razão da cólera de Deus: a rejeição do Seu Filho como Salvador! Então, "... e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro." Apocalipse 15.6

Embora estes anjos tenham a aparência que certamente indicaria uma tarefa sacerdotal, na verdade eles não apresentam nenhum sacrifício substituto, e nem poderiam, pois não há mais nada e ninguém para se sacrificar em favor da humanidade, já marcada com o selo da besta.

No passado, os sacerdotes levitas ofereciam animais para a expiação dos pecados do povo de Israel. Depois veio o próprio Filho de Deus, para Se oferecer a Si mesmo em favor daqueles que se submetem à Sua Palavra.

Mas a humanidade em questão não pode ter mais nenhuma oportunidade, pois optou pela besta. E o que mais se pode fazer? Nada! Neste final do período da Grande Tribulação já não há mais tempo para pedir e receber o perdão.

O cálice da ira de Deus se encheu depois de ter esgotado todos os Seus recursos de misericórdia e compaixão por um povo de coração duro e rebelde. Não, não há mais tempo de arrependimento! Não há mais salvação! Agora a porta está fechada. A vestimenta dos sete anjos não é para oferecer sacrifícios, mas para exercer os últimos e derradeiros juízos sobre a humanidade.

Nas vestes destes anjos está o resumo desta segunda visão de João. Notemos que estas vestes são diferentes daquelas dos demais sacerdotes levitas, conforme está escrito: "O cinto de obra esmerada, que estava sobre a estola sacerdotal, era de obra igual, da mesma obra de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido, segundo o Senhor ordenara a Moisés." Êxodo 39.5

Aí temos, dentre outras cores, a cor do sangue da reconciliação que o sacerdote, mais tarde o Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus, precisava derramar pelos pecados do povo. No cinto dos sete anjos, entretanto, falta o elemento sangue. Eles são ungidos no peito com cintas de ouro puro, e não usam o cinto em volta da cintura, mas em volta do peito, o que significa dizer que o coração está fechado:

"Então, um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos. O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos." Apocalipse 15.7-8

Deus vive de eternidade em eternidade, e a Sua cólera não pode ser apagada sem o sacrifício substituto do Cordeiro de Deus. O apóstolo João diz: "O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos."

Isto nos faz lembrar do Santo dos Santos que havia no tabernáculo terreno, construído no deserto. E nele nem o próprio Moisés, que tinha visto Deus face a face, tinha o direito de entrar.

Também quando Salomão consagrou o Templo do Deus de Israel, a nuvem da glória do Senhor encheu toda a casa, de modo que nem mesmo os sacerdotes oficiais podiam entrar nela, por causa da glória do Senhor.

Mas aqui, na visão de João, temos o grande dia da explosão da cólera de Deus, pois ninguém podia penetrar no santuário, arrepender-se e implorar perdão. O santuário estava definitivamente cerrado!

(*) Trecho retirado do livro "Estudo do Apocalipse", do bispo Edir Macedo