Ciúme maior que o amor.

Insegurança e brigas são alguns dos prejuízos desse sentimento

O ciúme nasce de uma desconfiança e pode gerar ansiedade e brigas. Ele está presente na vida de muitos casais e, para algumas pessoas, significa prova de amor e preocupação. Entretanto, qual é o limite entre o verdadeiro zelo e a obsessão?

Na China, o ciúme descontrolado levou um jovem a uma atitude prejudicial à saúde da namorada, segundo relatou o site do jornal Daily Mail com informações do site chinês The People’s Daily. A jovem chinesa Yan Tai, de 20 anos, era bem magra quando começou o relacionamento com You Pan, de 25 anos, assumidamente ciumento. Para evitar que Yan chamasse a atenção de rivais, o namorado a estimulou a comer cada vez mais.

A jovem aceitou aumentar a ingestão de comida para agradar ao namorado. You Pan passou a oferecer cafés da manhã, almoços e jantares fartos à moça, além de acordá-la durante a madrugada para oferecer lanches. O objetivo era deixá-la menos atraente e garantir que ela ficasse sempre ao lado dele. Em apenas dois anos, Yan Tai passou de 44 quilos para mais de 90 quilos – ou seja, ela dobrou de peso.

O jovem também pensou em comida ao pedir Yan em casamento. Ele levou a moça na rua onde ficam os restaurantes favoritos do casal e deu a ela um buquê de bombons. Embora pareça engraçada, a história do casal chinês mostra que o ciúme pode levar o ser humano a tomar medidas cruéis e egoístas.

O conselheiro da vida amorosa Charles Cotta explica que o ciúme passa dos limites quando gera imposições. “Essa história do casal chinês é um caso desse tipo, pois o rapaz não pensou no bem-estar da namorada ao insistir que ela comesse mais do que deveria. É um ciúme extremo, doentio mesmo, a ponto de prejudicar a moça. O rapaz deve ser inseguro e carregar algum trauma que o impede de enxergar que ele está fazendo mal à pessoa que ama. Já a moça, acredito que há certa carência, uma dependência dele, por isso ela se sujeitou”, opina Cotta, que é palestrante da “Terapia do Amor” na Universal em Del Castilho, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

O especialista diz que é normal não querer perder a pessoa amada e cuidar para que o relacionamento não esfrie. Mas a preocupação constante indica que algo não vai bem. “A insegurança é a raiz do ciúme doentio. É isso que leva a pessoa a escravizar a outra, a controlar, a ficar espionando”, esclarece Cotta. O ciúme pode provocar baixa autoestima, medo, agressividade, sensação de perda de liberdade, tensão, desconfiança, possessão e confusão, além de ameaças e chantagens.

Em alguns casos, o ciúme também pode ser uma reação ao comportamento inadequado de uma das partes, como corresponder à paquera de outras pessoas. Para Charles Cotta, o ideal é explicar para o parceiro qual é o incômodo, em vez de acumular mágoas. “A pessoa não precisa impor nada, apenas pedir respeito e, ao mesmo tempo, dar o respeito que a relação merece”, ensina.

Veja se o ciúmes está se tranformando em um problema no relacionamento:

O escritor e apresentador Renato Cardoso compara o ciúme a um vício. “O ciúme é um vício que destrói o relacionamento a longo prazo, mas a curto prazo dá ao ciumento um certo prazer por conseguir controlar a outra pessoa e mantê-la só para si”, afirmou em texto disponível no blogrenatocardoso.com.

Ele e a esposa, a escritora Cristiane Cardoso, costumam dar dicas a casais que sofrem com o ciúme no programa The Love School, da Rede Record, além de ministrar palestras sobre relacionamentos.

Para Cristiane, o ciúme surge quando há baixa autoestima. Ela também enfrentou o problema no início do casamento. “A pessoa só tem ciúmes demais no relacionamento quando se acha inferior às outras pessoas. Era assim que eu me via: inferior ao meu marido. Fazia dele o sol do meu planeta, girava minha vida ao redor dele. Só quando consegui me enxergar e reconhecer o meu valor é que entendi que ninguém poderia tirar o meu lugar”, escreveu a apresentadora em seu blog (cristianecardoso.com).

Cotta lembra que conversar é um bom caminho para quem quer reverter a situação. “O diálogo é muito importante. É preciso perguntar ao parceiro em que situações você está agindo errado, em que momentos você o sufoca por causa do ciúme.” 

“Eu não tinha paz” 

Há quatro anos, o ciúme se tornou uma rotina na vida do casal de comerciantes Maria Irani Soares de Araújo, de 38 anos, e Luiz da Silva Pinto, de 43 anos. “Eu sentia ciúme sem nenhum motivo.

Ele saía de casa e eu achava que ele ia encontrar outra mulher na rua. Ficava muito nervosa, queria brigar, bater nele”, lembra Maria Irani. Ela conta que o pensamento fixo de que o marido a traía quase acabou com o relacionamento. “A gente vinha e voltava dos lugares brigando, ficava sem se falar, dormia um de costas para o outro”, afirma.

Luiz explica que tentava acalmar a esposa, mas era difícil. “Ela queria explicações sobre coisas que eu nunca fiz, me acusava de traição. A vontade que eu tinha era de jogar tudo para o alto.”

A situação ficou insustentável em fevereiro deste ano, quando o casal fazia uma viagem de carro de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Durante o percurso, eles discutiram por duas horas seguidas.

“Quando cheguei dessa viagem, percebi que eu não tinha paz e busquei ajuda na ‘Terapia do Amor’. Aí comecei a mudar meu comportamento, meu jeito de falar com ele, passei a confiar mais.”

O marido e o filho do casal, Luiz, de 17 anos, perceberam a transformação. “Ela começou a falar mais baixo, a ouvir mais, a me entender.” Para marcar a nova fase, eles decidiram oficializar a união de 19 anos.

“Casamos no dia 8 de março, em um casamento comunitário. Deus está agindo em nossa vida”, diz Luiz. “Hoje eu levo paz no meu coração e tenho muita fé em Deus. Chego em casa cantando, mando beijinho para ele. A ‘Terapia do Amor’ é tudo de bom”, completa Maria Irani.

As palestras da “Terapia do Amor” ocorrem às quintas-feiras na maior parte do País. Em Sergipe, os encontros acontecem aos sábados. Confira horários e o endereço da Universal mais perto de você no site terapiadoamor.tv. As reuniões são abertas a casais e a pessoas solteiras.

 

Fonte: Universal.org