Apocalipse: a visão dos mártires na glória Os juíz

Apocalipse: a visão dos mártires na glória

Os juízos de todos os selos fazem parte deste grande e terrível Dia do Senhor, mas cada um dos seus acontecimentos pode representar um período de meses, e até anos

 

“Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a Salvação.

Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!

Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e O servem de dia e de noite no Seu santuário; e Aquele que Se assenta no trono estenderá sobre eles o Seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que Se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Apocalipse 7.9-17

Os fatos do sexto selo continuam a se desenvolver, só que desta vez a visão do apóstolo passa exclusivamente para o Céu, onde ele vê a grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Diante disso, podemos resumir a abertura do sexto selo em três visões:

Primeira: catástrofes cósmicas, as quais enchem os homens de perplexidade, medo e terror; o sol fica negro como saco de crina, a lua como sangue e a Terra é abalada por um enorme terremoto.

Segunda: em meio a esse juízo, é incluída uma pausa por causa dos cento e quarenta e quatro mil de Israel, que ainda devem ser selados.

Terceira: a grande multidão, vestida de branco e com palmas nas mãos.

A primeira visão se refere a acontecimentos no nosso sistema solar, tendo a Terra como palco das maiores catástrofes envolvendo a vida no planeta. A segunda, ainda na Terra, refere-se à selagem dos cento e quarenta e quatro mil dos filhos de Israel, que se converterão ao Senhor Jesus durante a Grande Tribulação.

Já a terceira visão passa para o Céu, onde encontramos a grande multidão que ninguém podia contar. Mesmo assim, o conteúdo desta terceira visão faz parte das duas primeiras, pois o grande e terrível Dia do Senhor não pode ser compreendido como as vinte e quatro horas que compõem um dia comum.

Os juízos de todos os selos fazem parte deste grande e terrível Dia do Senhor, mas cada um dos seus acontecimentos pode representar um período de meses, e até anos.

Esses mártires que vieram da Grande Tribulação não têm nada a ver com a Igreja arrebatada. Esta, como já vimos, está representada pelos vinte e quatro anciãos, coroados, assentados no trono, naturalmente, reinando com o Senhor Jesus. Esses mártires não estão assentados, mas de pé. Levam palmas nas mãos e não têm coroas nem tronos. A Igreja aparece no seu lugar celestial, antes da abertura do primeiro selo, mas os mártires só aparecem diante do trono no momento em que o juízo na Terra é realizado no sexto selo.

A Igreja glorificada já estava no Céu antes que soasse a hora da provação (Apocalipse 3.10), porque era digna de escapar de todas essas coisas (Lucas 21.36). Mas esta grande multidão, portadora de palmas nas mãos, passa pela Grande Tribulação e só alcança o Céu a partir daí.

A Igreja do Senhor Jesus é chamada de “reino e sacerdote”: “e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (Apocalipse 5.10). Mas os mártires da Grande Tribulação são chamados “servos”: “razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e Aquele que Se assenta no trono estenderá sobre eles o Seu tabernáculo” (Apocalipse 7.15).

À primeira vista, pode parecer que esta grande multidão de mártires foi salva em meio aos acontecimentos catastróficos do sexto selo, mas não! Um dos anciãos respondeu à sua própria pergunta, dizendo: “...São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7.14).

Esta grande multidão é apresentada depois que já passou toda a Grande Tribulação. Naturalmente, essa visão é antecipada. Na verdade, é uma visão final de todos aqueles que enfrentaram a besta, o anticristo, ao longo da tribulação.

São aqueles que foram convertidos, permaneceram fiéis ao Senhor Jesus e guardaram a fé cristã depois que se abriram todos os selos, tocaram se todas as trombetas e se derramaram todas as taças da cólera, e, por isso, tiveram de pagar com a própria vida.

É claro que o martírio desta grande multidão é algo inimaginável, porque inimaginável também será o período da Grande Tribulação. Daniel viu este dia e disse: “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo...” (Daniel 12.1).

O Senhor Jesus, referindo-se também a esse tempo, disse: “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mateus 24.21).

Mas justamente durante esta tribulação mais cruel, mais terrível e sem igual, surge um número incrivelmente grande, que não se pode sequer contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pessoas que sobrepujaram todas as tribulações e que venceram, para a glória do Senhor Jesus Cristo!

(*) Trecho retirado do livro "Estudo do Apocalipse", do bispo Edir Macedo