A abertura do sétimo selo - segunda parte

A abertura do sétimo selo - segunda parte

Nenhuma oração que tenha como motivo o Reino e a vontade de Deus ficará perdida, ou cairá no esquecimento

 

“...ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono” (Apocalipse 8.3 ).

O termo “as orações de todos os santos” se referem às orações de todos os convertidos de todas as épocas, em dois sentidos:

PRIMEIRO: em relação a Deus, são aroma suave que sobe à Sua presença quando verdadeiros cristãos manifestam dependência dEle, através das suas orações.

SEGUNDO: em relação à Terra, são juízos que têm de acontecer pelo simples fato de que não têm desculpa aqueles que não quiseram a Salvação. Se, por acaso, nenhuma pessoa aceitasse o perdão gratuito de Deus, então poderia ser que alguma coisa estivesse errada com o plano da Salvação, mas isso não acontece! Então, o erro é dos que não quiseram ou não querem receber a Salvação.

Daí a razão dos juízos de Deus. Mas por que este sacrifício de orações dos santos de todos os tempos, oferecido com incenso, é realizado justamente antes do momento em que serão tocadas as sete trombetas de juízo? Por que este acontecimento glorioso está incluído no sétimo selo, após sete dias e meio, ou “cerca de meia hora” (Apocalipse 8.1) de silêncio nos Céus?

Já vimos que os vinte e quatro anciãos, ou os representantes coroados da Igreja arrebatada, prostram-se com taças de ouro, cheias de incenso, diante do Cordeiro. Isso acontece no início dos sete selos:

“e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.” Apocalipse 5.8-10

Eles cantam um novo cântico, mas até aquele momento ainda não se falava de respostas às orações. Os próprios remidos glorificados elevam as suas orações perante o Senhor Jesus. Fazem isso como um ato de adoração, na confiança de que o Senhor está disposto a respondê-los completamente. No quinto capítulo eles esperam por uma resposta, mas no oitavo é o próprio Senhor Jesus, na figura de um “outro anjo”, quem as eleva. Ele mesmo, o grande Sumo Sacerdote, leva as orações no incensário de ouro, penetra-as com o aroma suave do Seu próprio favor, santifica-as com o fogo sagrado e as oferece sobre o altar de ouro, diante do trono do Altíssimo! Aleluia! É como se Ele dissesse ao Seu Pai: Ó Pai, atende às orações de todos aqueles que Eu comprei com o Meu sangue!

Essa solenidade representa o dia da resposta à oração que o Senhor mesmo nos ensinou, quando disse: “venha o Teu reino; faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6.10).

Por isso também nenhuma oração que tenha como motivo o Reino e a vontade de Deus ficará perdida, ou cairá no esquecimento. Por outro lado, aqui está a explicação do porquê de muitas orações não serem respondidas, mesmo quando feitas em o nome do Senhor Jesus.

As orações que não estão dentro do contexto da vinda do Reino de Deus e segundo a Sua santa vontade, ou seja, orações que expressam apenas objetivos mesquinhos, pessoais e egoístas, não são atendidas. Seres poderosos são convocados a derramarem as suas pragas sobre a Terra, para revelar o poder e a glória do Reino de Deus. Aqueles que forem ressuscitados e os arrebatados, que sempre pediram que o Reino de Deus viesse a ser restabelecido, são justamente os atendidos e glorificados!

Quando o Senhor Jesus nos ensinou a orar, pedindo a Deus que viesse o Seu Reino, e que a Sua vontade fosse feita na Terra assim como ela é feita no Céu, Ele queria que todos os Seus seguidores permanecessem neste objetivo, nesta busca, nesta realização, que é a suprema vontade de Deus para este planeta, desde a queda de Adão e Eva. Quando Deus criou os Céus e a Terra, e colocou o homem com autoridade sobre toda a Sua criação neste mundo, Ele tinha o propósito de ter na Sua criatura um cooperador no desenvolvimento do planeta, mantendo com ele permanente comunhão.

Quando Adão pecou, simplesmente entregou a Satanás a autoridade que havia recebido de Deus. Portanto, por intermédio do ser humano nasceu neste mundo o império das trevas, ou o reino de Satanás. O Senhor Jesus, então, veio para resgatar o homem decaído e também implantar o Reino de Deus. Quando fazemos alguma coisa em função do desenvolvimento do Seu Reino, estamos colaborando com Ele no crescimento deste Reino aqui na Terra.

Assim, toda a solenidade grandiosa que ocorre na abertura do sétimo selo significa o estabelecimento do domínio de Deus na Terra. Se, portanto, realiza-se justamente neste momento o sacrifício das orações de todos os santos, enquanto os sete anjos estão preparados para tocarem as trombetas dos juízos, então é porque chegou o momento de lembrar das orações que ainda precisam ser atendidas.

Também não podemos nos esquecer que os que são de Deus, e por isso mesmo estão permanentemente orando para que venha o Seu Reino e se faça a Sua vontade, são a razão desses juízos. Quanto mais o Reino de Deus se desenvolve, mais o império das trevas é destruído e mais rapidamente Satanás e seus demônios são enfraquecidos na destruição da humanidade.

Nesse aspecto, todos os obreiros, pastores e bispos da Universal podem testemunhar. Desde que começamos a orar para que Deus viesse a implantar o Seu Reino nos corações de todos os enganados, além de amarrar os principados, as potestades, os dominadores e as forças espirituais do mal, os anjos de Deus começaram também a trabalhar conosco.

Assim, a Universal começou a se desenvolver mais rapidamente, e em todo o mundo. Isso significa que todos os que concordam com Deus, através da oração, passam a ser Seus cooperadores. Isso confirma a Palavra de Deus, que diz: “Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós” (1 Coríntios 3.9). O trabalho de oração perseverante abrevia o tempo da volta do nosso Senhor Jesus Cristo.

Analisemos agora mais esta passagem: “E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto” (Apocalipse 8.5).

O fogo do altar é o fogo do sacrifício que consome; significa, portanto, juízo, e é justamente ele que é lançado sobre a Terra. Os juízos da abertura do sétimo selo trazem consequências tão terríveis e inimagináveis, que chegam a ser divididos em trombetas.

É como se os juízos deste selo viessem gradativamente preparando o resto da humanidade para o dia final. O Senhor Jesus disse com relação a esses dias: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12.49).

(*) Trecho retirado do livro "Estudo do Apocalipse", do bispo Edir Macedo