Apocalipse: a chave do poço do abismo

Apocalipse: a chave do poço do abismo

As pessoas que ainda estiverem vivendo na Terra, neste período, estarão experimentando a cólera cruel e inclemente de Satanás

 

“O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo. Ela abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceira saída do poço, escureceu-se o sol e o ar. Também da fumaça saíram gafanhotos para a terra; e foi-lhes dado poder como o que têm os escorpiões da terra, e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a qualquer coisa verde, nem a árvore alguma e tão somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre a fronte.

Foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que os atormentassem durante cinco meses. E o seu tormento era como tormento de escorpião quando fere alguém. Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte fugirá deles. O aspecto dos gafanhotos era semelhante a cavalos preparados para a peleja; na sua cabeça havia como que coroas parecendo de ouro; e o seu rosto era como rosto de homem; tinham também cabelos, como cabelos de mulher; os seus dentes, como dentes de leão; tinham couraças, como couraças de ferro; o barulho que as suas asas faziam era como o barulho de carros de muitos cavalos, quando correm à peleja; tinham ainda cauda, como escorpiões, e ferrão; na cauda tinham poder para causar dano aos homens, por cinco meses; e tinham sobre eles, como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom. O primeiro ai passou. Eis que, depois destas coisas, vêm ainda dois ais.”. Apocalipse 9.1-12

O juízo desta quinta trombeta difere totalmente dos juízos das anteriores. Na primeira, foi queimada a terça parte da Terra, das árvores e de toda erva verde. Na segunda, foi atingida a terça parte dos mares, dos animais que neles vivem e das embarcações.

Na terceira trombeta foi contaminada a terça parte dos rios e das fontes de águas, e, finalmente, na quarta trombeta foi escurecida a terça parte do sol, da lua e das estrelas.

Verificamos, então, que nestas quatro trombetas houve uma matéria física causadora de destruição. Na primeira, a saraiva e fogo de mistura com sangue. Na segunda, uma como que montanha ardendo em chamas. Na terceira, uma grande estrela ardendo como tocha, e na quarta, alguma coisa atingindo o sol, a lua e as estrelas, ferindo-os.

Nesta quinta trombeta, o apóstolo João viu uma estrela caída do céu na Terra. Esta estrela recebeu a chave do poço do abismo. Em oposição a ela, o Senhor Jesus Cristo tem as chaves da morte e do inferno (Apocalipse 1.18).

Ora, sabemos que a chave é um símbolo de autoridade para iniciar eventos e exercer controle; por isto mesmo o Senhor Jesus Se identifica para o anjo da igreja em Filadélfia como “...Aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá” (Apocalipse 3.7).

Então, esta estrela caída na Terra, recebedora da chave do poço do abismo, não pode ser outro senão o próprio Satanás, pois que ele mesmo não tem nem poder nem autoridade para abrir o poço, sem que receba de Alguém esta condição.

Se tivesse, então já teria aberto o poço há muito tempo. Podemos concluir que Satanás tem o seu poder limitado pelo poder do Senhor Jesus Cristo! Significa que ele não pode agir de forma independente, pois todos os seus objetivos destruidores estão dentro dos limites estabelecidos por Deus.

Um exemplo claro disso é o caso de Jó. Tudo que o diabo fez em sua vida foi com a devida permissão de Deus, e de maneira limitada. As seguintes citações bíblicas confirmam que esta estrela só pode se referir a Satanás: “Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lucas 10.17,18).

O profeta Isaías também escreveu: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!” (Isaías 14.12).

O fato de haver, nesta quinta trombeta, muito mais versos que nas demais, deixa claro que o seu juízo será muito mais rigoroso e doloroso. Isso nos leva a acreditar que o apóstolo João queria definir bem a razão do primeiro “ai”.

As pessoas que ainda estiverem vivendo na Terra, neste período, estarão experimentando a cólera cruel e inclemente de Satanás, uma vez que do poço sairão espíritos imundos, muito piores que os que estão agindo hoje em dia, em todo o mundo. Judas, irmão de Tiago, na sua pequena epístola faz menção a estes demônios, quando diz:

“Quero, pois, lembrar-vos, embora já estejais cientes de tudo uma vez por todas, que o Senhor, tendo libertado um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram; e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia.” Judas 1.5,6

É muito importante frisar que a classe de demônios agindo neste mundo vive nas regiões celestes, isto é, nos ares. O apóstolo Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, afirmou: “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. (Efésios 6.12)

A legião que estava no endemoninhado gadareno pediu ao Senhor Jesus que não os enviasse para o abismo: “Rogavam-Lhe que não os mandasse sair para o abismo” (Lucas 8.31).

E por quê? Porque talvez eles tenham pavor daqueles que estão no abismo! E se isso é verdadeiro, então imagine quando Satanás abrir o poço e soltar os demônios que estão guardados para o grande Dia do Juízo!

O juízo desta quinta trombeta também tem o seu paralelo na oitava praga que foi lançada sobre o Egito. Vejamos o texto bíblico:

“Estendeu, pois, Moisés o seu bordão sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; quando amanheceu, o vento oriental tinha trazido os gafanhotos. E subiram os gafanhotos por toda a terra do Egito e pousaram sobre todo o seu território; eram mui numerosos; antes destes, nunca houve tais gafanhotos, nem depois deles virão outros assim. Porque cobriram a superfície de toda a terra, de modo que a terra se escureceu; devoraram toda a erva da terra e todo fruto das árvores que deixara a chuva de pedras; e não restou nada verde nas árvores, nem na erva do campo, em toda a terra do Egito.” Êxodo 10.13-15

A diferença principal entre os gafanhotos no Egito e os da quinta trombeta é que os primeiros danificaram as árvores e plantas, enquanto os últimos atormentam os homens por cinco meses, uma vez que lhes foi dado poder como o dos escorpiões.

Os incluídos nos cento e quarenta e quatro mil não são atormentados, pois foi-lhes determinado atormentar somente aqueles que não têm o selo de Deus em suas frontes. A este exército demoníaco estão impostas quatro limitações:

1) Não pode danificar a natureza.

2) Não pode tocar nos selados de Deus.

3) Não tem poder para matar, somente para atormentar.

4) O seu período de atuação é de cinco meses.

Os gafanhotos não têm rei, conforme dizem as Sagradas Escrituras: “os gafanhotos não têm rei; contudo, marcham todos em bandos” (Provérbios 30.27).

Este exército monstruoso de gafanhotos, no entanto, tem um, cujo nome é Abadom, em hebraico, e Apoliom, em grego. Este rei não é Satanás, pois ele abriu o abismo como uma estrela caída. Este rei do abismo é o principal dos que estão presos no poço, e o seu nome significa “destruidor” ou “aniquilador”.

O fato de ser citado em dois idiomas significa que ele e o seu exército atormentarão tanto os judeus quanto os gentios. E, então, após cinco meses de tormento, termina o primeiro “ai”.

(*) Trecho retirado do livro "Estudo do Apocalipse", do bispo Edir Macedo