A voz do anjo forte, vinda do céu

Apocalipse: A voz do anjo forte, vinda do céu

Da mesma forma pela qual o povo de Deus toma posse de um pedaço de terra, pelo simples fato de colocar ali a planta do pé, assim acontece com este ser divino

 

“Vi outro anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris por cima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo; e tinha na mão um livrinho aberto. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a terra, e bradou em grande voz, como ruge um leão, e, quando bradou, desferiram os sete trovões as suas próprias vozes.

Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever, mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram e não as escrevas. Então, o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora, mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas.

A voz que ouvi, vinda do céu, estava de novo falando comigo e dizendo: Vai e toma o livro que se acha aberto na mão do anjo em pé sobre o mar e sobre a terra. Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel.

Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo. Então, me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis.” Apocalipse 10.1-113

Na sexta trombeta, vimos o quadro da guerra mundial, com o uso de armas atômicas matando a terça parte da humanidade. O presente capítulo é a continuação da sexta trombeta, só que aqui a figura central é “um anjo forte” e o livrinho.

Embora muitos intérpretes recusem a ideia de que este outro “anjo forte” seja o Senhor Jesus, a descrição que o apóstolo João faz tem todas as características de outras descrições feitas a respeito dEle.

Vejamos alguns exemplos. Referindo-se ao Senhor Jesus, nós temos a promessa: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá...” (Apocalipse 1.7). Sabemos que os filhos de Deus serão arrebatados ao encontro dEle nas nuvens. A descrição deste “anjo forte” é: “Vi outro anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris por cima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo; e tinha na mão um livrinho aberto...” (Apocalipse 10.1,2).

Isso nos lembra a profecia de Ezequiel, quando viu a glória do Senhor: “Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor...” (Ezequiel 1.28).

Sobre o rosto deste “anjo forte”, lemos que “...era como o sol...”, ou seja, a mesma descrição do início do livro, quando João diz: “...O seu rosto brilhava como o sol na sua força” (Apocalipse 1.16).

A respeito das pernas, vimos que eram “...como colunas de fogo...” (Apocalipse 10.1), o que também combina com a descrição feita do Senhor por João: “os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha...” (Apocalipse 1.15).

Ainda que seja chamado de “anjo forte”, as características da Sua descrição são bem distintas dos demais anjos; além disso, por ser tão distinto, não podemos duvidar de que se trata da Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Afinal, que anjo teria a autoridade de pôr o pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra? Sabemos que, por duas vezes, o Senhor Deus exortou o povo de Israel, antes da posse da Terra Prometida, dizendo:

“Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, desde o deserto, desde o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até ao mar ocidental, será vosso. Ninguém vos poderá resistir; o Senhor, vosso Deus, porá sobre toda terra que pisardes o vosso terror e o vosso temor, como já vos tem dito.” Deuteronômio 11.24,25

Novamente lemos a mesma promessa dada a Josué, confirmando o que fora dito a Moisés: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés” (Josué 1.3).

Ora, da mesma forma pela qual o povo de Deus toma posse de um pedaço de terra, pelo simples fato de colocar ali a planta do pé, assim acontece com este “anjo forte”.

O fato de colocar o pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra significa a tomada de posse de ambos. Mas cabe a pergunta: por que este “anjo” poderoso coloca os pés sobre o mar e sobre a terra, se os dois são uma coisa só, ou seja, estão no contexto do planeta Terra?

Aí é que está! O mar significa os povos e a terra significa Israel. Esta atitude do “anjo forte” apenas confirma a interpretação de que não é outro senão o próprio Senhor Jesus Cristo!

Ele vem, assim, tomar posse da Sua propriedade legal, assumindo o domínio de ambos. Isto seria impossível se Ele não tomasse o livro e abrisse os seus selos, conforme diz o apóstolo João: “Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono” (Apocalipse 5.7).

A abertura dos selos e a tomada do livro selado da mão direita dAquele que estava sentado no trono são a prova do Seu direito à posse do mar e da terra. Da mesma forma que Ele venceu, todos os que nEle estão, sem exceção, também vencerão!

O Seu triunfo garante o nosso triunfo. Onde está o Senhor Jesus não há espaço para os Seus inimigos. Assim sendo, quem está em Cristo Jesus tem de ser mais que vencedor!

A razão de muitos cristãos serem fracassados está no fato de que jamais tiveram realmente um encontro  com o Senhor Jesus. Não O conhecem como Ele é! Têm se enchido de muitas informações a Seu respeito, porém nunca O conheceram!

Jesus Cristo é o Senhor não por ter recebido este título por herança, ou por ter nascido nobre, não! Ele é o Senhor porque venceu! E aqueles que nEle estão têm a obrigação de vencer todas as batalhas travadas contra as trevas!

A segunda atitude deste “anjo forte”, depois de pôr os pés sobre o mar e a terra, foi clamar com grande voz, como ruge o leão. Isto nos lembra a profecia de Joel:“O Senhor brama de Sião e se fará ouvir de Jerusalém, e os céus e a terra tremerão; mas o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel” (Joel 3.16).

O profeta Amós também disse: “...O Senhor rugirá de Sião e de Jerusalém fará ouvir a sua voz...” (Amós 1.2). Ainda com relação a “clamar com grande voz”, o profeta Jeremias disse:

“Tu, pois, lhes profetizarás todas estas palavras e lhes dirás: O Senhor lá do alto rugirá e da sua santa morada fará ouvir a sua voz; rugirá fortemente contra a sua malhada, com brados contra todos os moradores da terra, como o eia! dos que pisam as uvas. Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo contra toda carne; os perversos entregará à espada, diz o Senhor”. Jeremias 25.30,31

Tendo o “anjo forte” clamado com grande voz, como de leão, seguiu-se o soar das vozes dos sete trovões. O que isso pode significar? O Senhor Jesus clama e ruge como um leão?

Sabemos ser o nosso Senhor o Leão da tribo de Judá, e quando o rei dos animais ruge, faz soar a sua ira e todos os animais estremecem. Da mesma forma este clamor do Senhor significa o juízo que faz as estruturas do inferno temerem e tremerem, porque para os profetas o rugir do Leão é sempre um sinal de juízo.

A terceira atitude do “anjo forte” foi jurar por Aquele que vive pelos séculos dos séculos, que criou o céu, a terra e o mar, e tudo quanto neles existe, dizendo: “...Já não haverá demora, mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas” (Apocalipse 10.6,7).

Essa declaração vem confirmar a premissa de que o “anjo forte” é o Senhor Jesus, pois quem nos Céus, na Terra ou em todo o universo teria a autoridade para jurar por Deus que não haveria demora? E que nos dias da voz do sétimo anjo, quando este estiver prestes a tocar a trombeta, cumprir-se-á o mistério de Deus? O profeta Daniel registrou uma profecia paralela a este juramento:

“Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente.” Daniel 12.1-3

Estes versos anunciam os acontecimentos do tempo final, e Aquele que transmitia esta revelação a Daniel fez o seguinte juramento:

“Ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu e jurou, por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E, quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas coisas todas se cumprirão.” Daniel 12.7

O juramento deste “anjo forte”, ou do Senhor Jesus, no presente capítulo, fala que não haverá demora com respeito ao cumprimento do mistério de Deus, que parece focalizar o estabelecimento do Reino do Seu Filho Jesus Cristo.

Sim, pois com a abertura do livro, o Senhor Jesus vai tomando posse dos Seus direitos adquiridos no Calvário. Em outras palavras, quanto mais rapidamente os juízos de Deus são executados sobre a humanidade, mais rápido o Senhor Jesus impõe o Seu direito. Eis o resumo da visão do décimo capítulo!

(*) Trecho retirado do livro "Estudo do Apocalipse", do bispo Edir Macedo